Gestão
Seu plano de manutenção funciona? 3 indicadores para provar
Preventiva × corretiva em homem-hora, aderência à programação e retrabalho: como calcular cada um, as referências e como ler os três juntos.
No papel, todo plano de manutenção é bom: preventivas bem distribuídas, frequências definidas, nenhuma corretiva prevista. Na prática, a pergunta é outra: o plano está sendo cumprido, e está evitando as falhas? Três indicadores respondem isso com números.
Os três saem das ordens de serviço: quanto do trabalho é planejado, quanto do programado é feito no prazo e quanto precisa ser refeito. Juntos, mostram se o problema está no plano, na execução ou na qualidade do serviço.
1. Preventiva × corretiva
Mede quanto do esforço da equipe vai para trabalho planejado (preventiva, preditiva, inspeção) e quanto vai para apagar incêndio (corretiva).
% corretiva = HH de corretiva ÷ HH total de manutenção
% planejada = HH de preventiva, preditiva e inspeção ÷ HH total de manutenção
Repare que a conta usa homem-hora (HH), não número de OS. Uma corretiva de 12 HH num redutor pesa muito mais do que três inspeções de 20 minutos. E HH não é a mesma coisa que hora de relógio: dois técnicos trabalhando 4 horas são 8 HH.
Exemplo de um mês fictício:
| Tipo | HH | % |
|---|---|---|
| Preventiva | 480 | 48% |
| Preditiva e inspeção | 140 | 14% |
| Corretiva | 380 | 38% |
| Total | 1.000 |
Trabalho planejado: 62%. A referência mais comum é ter 70% ou mais de trabalho planejado, e as operações de classe mundial costumam ficar perto de 80%, com no máximo 20% de corretiva. Faça a conta com seus números na calculadora de preventiva × corretiva.
Decida antes e mantenha: a corretiva encontrada numa inspeção e programada para a semana seguinte conta como planejada ou como corretiva? As duas escolhas são defensáveis. O que estraga o indicador é mudar de critério de um mês para o outro.
2. Aderência à programação
Ter 70% de preventiva no plano não adianta se metade dela não sai do papel. A aderência à programação mede quanto do que foi programado foi feito dentro do prazo.
Aderência = OS programadas executadas no prazo ÷ OS programadas no período
Exemplo: no mês, 120 OS foram programadas e 93 foram feitas no prazo. Aderência = 93 ÷ 120 = 77,5%. Uma referência usual é ficar acima de 90%.
Quando a aderência está baixa, os motivos mais comuns são:
- Corretiva "roubando" o técnico que estava escalado para a preventiva.
- Peça ou material que não estava separado no dia.
- Equipamento não liberado pela operação.
- Programação acima da capacidade: programar 150 HH numa semana em que a equipe entrega 120. O backlog mostra se isso está acontecendo.
- Tempo estimado irreal: a preventiva que "leva 1 hora" sempre leva 3.
Duas regras deixam esse número honesto. Registre o motivo de cada OS não executada, numa lista fechada, para saber qual causa pesa mais. E não empurre a data da OS em silêncio: reprogramar sem registro faz a aderência parecer ótima e esconde o atraso.
3. Retrabalho
Executar no prazo não basta se o serviço precisa ser refeito. O retrabalho mede a qualidade da execução.
% retrabalho = HH gasto em serviços refeitos ÷ HH total de manutenção
Um caso típico: na preventiva, o técnico troca o acoplamento de uma bomba, mas não confere o alinhamento. Dois dias depois, o rolamento esquenta, a bomba para e o serviço precisa ser refeito, agora como corretiva. Todo o HH desse segundo atendimento é retrabalho.
Exemplo: num mês com 1.000 HH, 46 HH foram gastos refazendo serviços. Retrabalho = 4,6%. O ideal é zero; uma referência comum aceita até 5%.
As causas mais frequentes de retrabalho são:
- Diagnóstico raso: trocou-se o que estava quebrado, não o que causou a quebra.
- Peça errada, recondicionada sem controle ou de qualidade duvidosa.
- Falta de procedimento para montagem, torque, alinhamento e folga.
- Teste cortado: o equipamento foi liberado sem rodar o tempo necessário.
- Pressa por causa de um backlog alto.
Para o retrabalho aparecer no indicador, a OS do retorno precisa estar ligada à OS original. Sem esse vínculo, o retorno parece uma falha nova. Veja mais em o que anotar na OS. E cada retrabalho é um bom candidato a uma análise de 5 porquês.
Lendo os três juntos
Cada indicador sozinho conta parte da história. A combinação aponta onde agir:
| O que você vê | O que costuma ser |
|---|---|
| Corretiva alta e aderência baixa | A corretiva está comendo o plano. Proteja a equipe das preventivas críticas e ataque as falhas repetitivas. |
| Aderência alta e corretiva alta | O plano é cumprido, mas não evita as falhas. Revise o que se faz em cada preventiva, não só se ela é feita. |
| Corretiva baixa e retrabalho alto | O plano roda, mas mal executado. Procedimento, treinamento e teste antes de liberar. |
| Aderência baixa e corretiva baixa | Plano maior que a capacidade, ou estimativas de tempo irreais. Ajuste a programação. |
| Tudo dentro da referência | Hora de olhar para confiabilidade e custo por ativo. |
Como acompanhar
- Feche os três no mesmo período, de preferência mensal, com a mesma base de HH.
- Mostre os números para toda a equipe num quadro de gestão à vista. Quem gera o dado precisa ver o resultado.
- Acompanhe a tendência de três a seis meses antes de mudar o plano inteiro por causa de um mês ruim.
- Separe por especialidade e por área quando a equipe for grande.
No taskfield, o tipo de cada OS, as horas de cada técnico e o vínculo com a OS anterior ficam registrados pelo aplicativo, e os três indicadores saem prontos por período, sem planilha paralela.
Resumo
- % corretiva = HH de corretiva ÷ HH total; a referência comum é 70% ou mais de trabalho planejado.
- Use homem-hora, não número de OS nem hora de relógio.
- Aderência à programação = OS feitas no prazo ÷ OS programadas; busque acima de 90%.
- Retrabalho = HH refeito ÷ HH total; o ideal é zero e até 5% é uma referência comum.
- Registre o motivo de cada OS não feita e ligue a OS de retorno à original.
- Lidos juntos, os três mostram se o problema está no plano, na execução ou na qualidade.
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