Gestão
Diagrama de Pareto na manutenção: ache os 20% que param a planta
Como montar o diagrama de Pareto com o histórico de OS: por horas paradas e não só por número de falhas, em dois níveis, com exemplo e erros comuns.
Em quase toda planta, poucos equipamentos respondem pela maior parte do tempo parado. O problema é que, sem olhar os números, a lista de prioridades segue a memória: a máquina que quebrou ontem, o chamado de quem reclamou mais alto. O diagrama de Pareto troca a memória pelo histórico.
A ideia vem do economista Vilfredo Pareto e foi levada para a qualidade industrial por Joseph Juran: poucas causas explicam a maior parte do efeito. É a famosa regra do 80/20. Na manutenção, ela costuma aparecer assim: cerca de 20% dos ativos ou dos modos de falha respondem por cerca de 80% das horas paradas. A proporção exata muda, mas a concentração quase sempre existe.
Conte horas paradas, não número de falhas
O erro mais comum é montar o Pareto pela quantidade de OS. Uma esteira que trava 22 vezes por semestre, 40 minutos de cada vez, parece o pior equipamento da planta. Um compressor que falhou 4 vezes, mas ficou 8 horas parado em cada uma, quase não aparece. Para a produção, o compressor doeu muito mais.
Escolha a medida pelo que você quer reduzir:
- Horas paradas: para atacar indisponibilidade. É a medida mais útil para começar.
- Custo: para atacar gasto com peças, terceiros e hora extra.
- Número de falhas: para atacar interrupções curtas e frequentes, que irritam a operação e escondem perda de produção.
Exemplo: seis meses de OS de corretiva
Uma planta fictícia de bebidas exportou as corretivas do semestre: 55 falhas em 23 equipamentos, somando 120 horas paradas. Ordenando por horas:
| Equipamento | Falhas | Horas paradas | % das horas | % acumulado |
|---|---|---|---|---|
| Envasadora linha 2 | 9 | 41 | 34,2% | 34,2% |
| Compressor C-02 | 4 | 33 | 27,5% | 61,7% |
| Esteira E-05 | 22 | 18 | 15,0% | 76,7% |
| Bomba B-11 | 3 | 9 | 7,5% | 84,2% |
| Caldeira | 2 | 6 | 5,0% | 89,2% |
| Outros 18 equipamentos | 15 | 13 | 10,8% | 100% |
| Total | 55 | 120 |
Três equipamentos, de 23, explicam 77% do tempo parado. Repare que a esteira, campeã em número de falhas, fica em terceiro quando o critério é tempo. E os 18 equipamentos restantes, juntos, somam 13 horas: é onde não vale gastar energia agora.
Para desenhar o gráfico numa planilha: barras com as horas de cada equipamento, em ordem decrescente, e uma linha com o percentual acumulado num segundo eixo, de 0 a 100%. O ponto em que a linha cruza perto de 80% separa os poucos vitais do resto.
O segundo nível: dentro do equipamento
Saber que a envasadora é o problema ainda não diz o que fazer. Repita o Pareto só com as 9 falhas dela, agora agrupadas por modo de falha:
| Modo de falha (envasadora L2) | Falhas | Horas paradas |
|---|---|---|
| Travamento no transportador de tampas | 4 | 19 |
| Vazamento no sistema pneumático | 2 | 16 |
| Sensor de nível descalibrado | 3 | 6 |
Agora o alvo é concreto: o transportador de tampas, com 19 das 41 horas. É aí que entra uma análise de causa raiz. O Pareto diz onde olhar; ele não diz por quê.
Erros que estragam o Pareto
- "Outros" gigante. Se a barra "outros" é a maior do gráfico, as categorias estão mal definidas ou a OS não registra o equipamento. Veja o que anotar na OS.
- Categorias demais. Trinta modos de falha com uma ocorrência cada não mostram nada. Agrupe por família: rolamento, vedação, elétrico, pneumático, sensor.
- Período curto. Um mês pega um evento isolado e faz parecer tendência. Três a seis meses dão um retrato mais justo.
- Misturar tipos de parada. Setup e preventiva não são falha. Se entram no Pareto de corretivas, distorcem o resultado.
- Fazer uma vez e arquivar. Depois de resolver o primeiro da lista, o segundo vira o primeiro. Refaça o gráfico todo mês e veja se as ações derrubaram as barras.
Pareto e equipamentos "doentes"
Um complemento útil é acompanhar os equipamentos com falha repetida num período curto, por exemplo 3 ou mais falhas em 30 dias. O Pareto mostra o acumulado do semestre; a lista de repetentes mostra o que está piorando agora. A calculadora de % sick units faz essa conta para o parque inteiro.
No taskfield, cada corretiva fica registrada com equipamento, horário de parada e modo de falha. O Pareto por horas, custo ou quantidade sai do histórico em poucos cliques, sem exportar planilha.
Resumo
- Poucos equipamentos e modos de falha costumam concentrar a maior parte do tempo parado.
- Monte o Pareto por horas paradas (ou custo), não só pelo número de falhas.
- No exemplo, 3 de 23 equipamentos explicaram 77% das horas paradas.
- Faça o segundo nível: dentro do equipamento, por modo de falha.
- O Pareto diz onde olhar; a análise de causa raiz diz por quê.
- Refaça todo mês para ver se as ações estão funcionando.
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