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Termografia, vibração, ultrassom ou óleo: o que cada técnica pega

Guia das técnicas de manutenção preditiva: curva P-F, o que cada técnica detecta, os sinais básicos de vibração e por onde começar.

Termografia, vibração, ultrassom, análise de óleo. Cada técnica preditiva enxerga um tipo de problema e em um momento diferente da vida da falha. Escolher a errada para o equipamento é pagar por inspeção e continuar sendo surpreendido pela quebra.

A curva P-F: quanto tempo você tem

Quase toda falha dá sinais antes de acontecer. O ponto P é o momento em que o problema começa a ser detectável; o ponto F é a falha funcional, quando o equipamento deixa de cumprir sua função. O intervalo entre os dois é o tempo que você tem para planejar a intervenção.

Num rolamento, a sequência típica é mais ou menos esta:

  1. Atrito anormal por lubrificação ruim: o ultrassom percebe.
  2. Começo de dano na pista: a vibração em alta frequência percebe; a análise de óleo, quando o mancal é lubrificado a óleo, mostra partículas de desgaste.
  3. Dano maior: a vibração aparece com clareza no espectro comum.
  4. Calor: a termografia e o termômetro percebem.
  5. Ruído audível, fumaça, cheiro: a inspeção sensitiva percebe. Falta muito pouco para a quebra.

Quanto mais cedo a técnica detecta, maior o tempo para planejar. Uma regra prática: o intervalo de inspeção deve ser bem menor que o intervalo P-F, em geral metade ou menos. Se a falha leva quatro semanas do primeiro sinal até a quebra, uma inspeção mensal pode chegar tarde.

O que cada técnica pega

TécnicaPega bemChega tarde ou não pega
TermografiaMau contato em painel, barramento e terminal; desequilíbrio de fases; isolamento térmico danificado; purgador travado; mancal já aquecidoInício de falha em equipamento rotativo: o calor é consequência tardia
VibraçãoDesbalanceamento, desalinhamento, folga, defeito de rolamento e de engrenagemProblemas elétricos de painel; equipamentos estáticos
UltrassomLubrificação de rolamento (falta e excesso), vazamento de ar comprimido e vapor, descarga elétrica em painel de média tensãoDiagnóstico detalhado de desalinhamento ou desbalanceamento
Análise de óleoDesgaste interno em redutor, sistema hidráulico e motor a diesel; contaminação por água e partículas; óleo degradadoEquipamentos lubrificados a graxa; falhas elétricas
Inspeção sensitivaVazamento, ruído, cheiro, folga visível, parafuso solto, sujeiraQuase tudo em estágio inicial; depende muito de quem inspeciona

Vibração: o básico que todo técnico deveria saber

Não é preciso ser analista para ler os sinais mais comuns. Eles aparecem em múltiplos da rotação do eixo (1x é a própria rotação):

  • 1x a rotação, forte na direção radial: desbalanceamento.
  • 2x a rotação, com vibração axial alta: desalinhamento.
  • Vários múltiplos (1x, 2x, 3x...) e leitura que muda ao apertar a base: folga mecânica ou pé manco.
  • Frequências altas, que não são múltiplos inteiros da rotação: defeito de rolamento. A técnica de envelope ajuda a separá-las do resto.

Uma tendência vale mais que uma leitura isolada. Meça sempre no mesmo ponto, na mesma direção e com o equipamento na mesma condição de carga. Um valor que dobrou desde a última medição pede atenção, mesmo que ainda esteja abaixo do alarme.

Termografia na prática

  • Inspecione painéis com o circuito em carga, de preferência próxima da carga normal. Painel com pouca carga esconde mau contato.
  • Compare fases iguais entre si: uma conexão bem mais quente que as vizinhas no mesmo circuito é suspeita, mesmo que a temperatura absoluta pareça baixa.
  • Siga as regras de segurança para abrir painel energizado; quando possível, use janelas de inspeção.
  • Em equipamento rotativo, use a termografia como complemento: ela confirma que há um problema, a vibração diz qual é.

Por onde começar

Não é preciso comprar tudo de uma vez. Uma ordem que funciona para a maioria das equipes:

  1. Inspeção sensitiva com rota e checklist. Custa pouco e pega muito, desde que seja feita com roteiro, registro e frequência definidos, não "quando der".
  2. Termografia nos painéis elétricos. Pode ser contratada uma ou duas vezes por ano; o retorno costuma ser rápido.
  3. Vibração nos equipamentos rotativos de criticidade A. Coletor portátil em rota ou sensores fixos nos mais críticos.
  4. Análise de óleo nos redutores grandes, sistemas hidráulicos e motores a diesel.
  5. Ultrassom para lubrificação de precisão e caça a vazamentos de ar comprimido, que costumam pagar o equipamento só com a energia economizada.

A técnica só vale se a medição virar ação. Cada anomalia encontrada precisa gerar uma OS com prazo, e a OS precisa ser executada antes do ponto F. Relatório de termografia arquivado sem OS é dinheiro jogado fora.

Um bom exemplo de onde isso faz diferença é o rolamento: muitas das causas de falha precoce aparecem primeiro no ultrassom e na vibração, semanas antes do calor.

No taskfield, as rotas de inspeção ficam no aplicativo do técnico, com os pontos, os valores medidos e as fotos. Uma leitura fora da faixa pode abrir a OS de correção na hora, ligada ao equipamento.

Resumo

  • Cada técnica detecta a falha num ponto diferente da curva P-F; quanto mais cedo, mais tempo para planejar.
  • Inspecione em intervalos bem menores que o intervalo P-F, em geral metade ou menos.
  • Termografia é a técnica principal para painel e conexão, mas chega tarde em equipamento rotativo.
  • Vibração: 1x desbalanceamento, 2x com axial alta desalinhamento, altas frequências rolamento.
  • Comece por inspeção sensitiva com rota, termografia de painel e vibração nos críticos.
  • Toda anomalia encontrada precisa virar OS executada antes da falha.

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