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Termografia, vibração, ultrassom ou óleo: o que cada técnica pega
Guia das técnicas de manutenção preditiva: curva P-F, o que cada técnica detecta, os sinais básicos de vibração e por onde começar.
Termografia, vibração, ultrassom, análise de óleo. Cada técnica preditiva enxerga um tipo de problema e em um momento diferente da vida da falha. Escolher a errada para o equipamento é pagar por inspeção e continuar sendo surpreendido pela quebra.
A curva P-F: quanto tempo você tem
Quase toda falha dá sinais antes de acontecer. O ponto P é o momento em que o problema começa a ser detectável; o ponto F é a falha funcional, quando o equipamento deixa de cumprir sua função. O intervalo entre os dois é o tempo que você tem para planejar a intervenção.
Num rolamento, a sequência típica é mais ou menos esta:
- Atrito anormal por lubrificação ruim: o ultrassom percebe.
- Começo de dano na pista: a vibração em alta frequência percebe; a análise de óleo, quando o mancal é lubrificado a óleo, mostra partículas de desgaste.
- Dano maior: a vibração aparece com clareza no espectro comum.
- Calor: a termografia e o termômetro percebem.
- Ruído audível, fumaça, cheiro: a inspeção sensitiva percebe. Falta muito pouco para a quebra.
Quanto mais cedo a técnica detecta, maior o tempo para planejar. Uma regra prática: o intervalo de inspeção deve ser bem menor que o intervalo P-F, em geral metade ou menos. Se a falha leva quatro semanas do primeiro sinal até a quebra, uma inspeção mensal pode chegar tarde.
O que cada técnica pega
| Técnica | Pega bem | Chega tarde ou não pega |
|---|---|---|
| Termografia | Mau contato em painel, barramento e terminal; desequilíbrio de fases; isolamento térmico danificado; purgador travado; mancal já aquecido | Início de falha em equipamento rotativo: o calor é consequência tardia |
| Vibração | Desbalanceamento, desalinhamento, folga, defeito de rolamento e de engrenagem | Problemas elétricos de painel; equipamentos estáticos |
| Ultrassom | Lubrificação de rolamento (falta e excesso), vazamento de ar comprimido e vapor, descarga elétrica em painel de média tensão | Diagnóstico detalhado de desalinhamento ou desbalanceamento |
| Análise de óleo | Desgaste interno em redutor, sistema hidráulico e motor a diesel; contaminação por água e partículas; óleo degradado | Equipamentos lubrificados a graxa; falhas elétricas |
| Inspeção sensitiva | Vazamento, ruído, cheiro, folga visível, parafuso solto, sujeira | Quase tudo em estágio inicial; depende muito de quem inspeciona |
Vibração: o básico que todo técnico deveria saber
Não é preciso ser analista para ler os sinais mais comuns. Eles aparecem em múltiplos da rotação do eixo (1x é a própria rotação):
- 1x a rotação, forte na direção radial: desbalanceamento.
- 2x a rotação, com vibração axial alta: desalinhamento.
- Vários múltiplos (1x, 2x, 3x...) e leitura que muda ao apertar a base: folga mecânica ou pé manco.
- Frequências altas, que não são múltiplos inteiros da rotação: defeito de rolamento. A técnica de envelope ajuda a separá-las do resto.
Uma tendência vale mais que uma leitura isolada. Meça sempre no mesmo ponto, na mesma direção e com o equipamento na mesma condição de carga. Um valor que dobrou desde a última medição pede atenção, mesmo que ainda esteja abaixo do alarme.
Termografia na prática
- Inspecione painéis com o circuito em carga, de preferência próxima da carga normal. Painel com pouca carga esconde mau contato.
- Compare fases iguais entre si: uma conexão bem mais quente que as vizinhas no mesmo circuito é suspeita, mesmo que a temperatura absoluta pareça baixa.
- Siga as regras de segurança para abrir painel energizado; quando possível, use janelas de inspeção.
- Em equipamento rotativo, use a termografia como complemento: ela confirma que há um problema, a vibração diz qual é.
Por onde começar
Não é preciso comprar tudo de uma vez. Uma ordem que funciona para a maioria das equipes:
- Inspeção sensitiva com rota e checklist. Custa pouco e pega muito, desde que seja feita com roteiro, registro e frequência definidos, não "quando der".
- Termografia nos painéis elétricos. Pode ser contratada uma ou duas vezes por ano; o retorno costuma ser rápido.
- Vibração nos equipamentos rotativos de criticidade A. Coletor portátil em rota ou sensores fixos nos mais críticos.
- Análise de óleo nos redutores grandes, sistemas hidráulicos e motores a diesel.
- Ultrassom para lubrificação de precisão e caça a vazamentos de ar comprimido, que costumam pagar o equipamento só com a energia economizada.
A técnica só vale se a medição virar ação. Cada anomalia encontrada precisa gerar uma OS com prazo, e a OS precisa ser executada antes do ponto F. Relatório de termografia arquivado sem OS é dinheiro jogado fora.
Um bom exemplo de onde isso faz diferença é o rolamento: muitas das causas de falha precoce aparecem primeiro no ultrassom e na vibração, semanas antes do calor.
No taskfield, as rotas de inspeção ficam no aplicativo do técnico, com os pontos, os valores medidos e as fotos. Uma leitura fora da faixa pode abrir a OS de correção na hora, ligada ao equipamento.
Resumo
- Cada técnica detecta a falha num ponto diferente da curva P-F; quanto mais cedo, mais tempo para planejar.
- Inspecione em intervalos bem menores que o intervalo P-F, em geral metade ou menos.
- Termografia é a técnica principal para painel e conexão, mas chega tarde em equipamento rotativo.
- Vibração: 1x desbalanceamento, 2x com axial alta desalinhamento, altas frequências rolamento.
- Comece por inspeção sensitiva com rota, termografia de painel e vibração nos críticos.
- Toda anomalia encontrada precisa virar OS executada antes da falha.
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