Gestão
Criticidade de equipamentos: como decidir o que vem primeiro
Matriz de criticidade simples com quatro perguntas, exemplo A/B/C, o que cada classe recebe e como cruzar criticidade com a condição do equipamento.
Há 50 equipamentos pedindo atenção e tempo para cuidar de 15. Quem fica de fora? Sem um critério combinado, a decisão vai para quem grita mais alto ou para a máquina que quebrou na semana passada. A classificação de criticidade existe para essa conversa acontecer antes da emergência.
Criticidade não é preço nem tamanho. Um motor caro com dois reservas prontos pode ser pouco crítico. Uma bomba barata que é a única passagem do processo pode parar a planta inteira. O que define a criticidade é o que acontece quando o equipamento para.
As quatro perguntas
Para cada equipamento, responda com nota de 1 a 3:
| Pergunta | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|
| Segurança e meio ambiente: a falha pode machucar alguém ou causar dano ambiental? | Não | Risco controlado | Sim |
| Produção ou serviço: a parada afeta o resultado? | Não afeta | Reduz | Para tudo |
| Reserva: existe outro equipamento que assume? | Sim, automático | Sim, manual ou lento | Não |
| Reparo: quanto tempo e dinheiro para voltar? | Horas, peça em estoque | Dias | Semanas ou peça importada |
Some as notas e classifique:
- A (crítico): soma 10 ou mais, ou nota 3 em segurança e meio ambiente, independentemente do resto.
- B (importante): soma de 7 a 9.
- C (comum): soma 6 ou menos.
Os pesos e os cortes podem ser ajustados para a sua realidade. O importante é que a regra seja escrita, igual para todos os equipamentos e conhecida pela equipe.
Exemplo
| Equipamento | Seg. | Prod. | Reserva | Reparo | Soma | Classe |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Compressor de ar único da planta | 1 | 3 | 3 | 3 | 10 | A |
| Caldeira | 3 | 2 | 3 | 2 | 10 | A |
| Esteira de saída (passagem única) | 1 | 3 | 3 | 1 | 8 | B |
| Bomba de recirculação com reserva | 1 | 1 | 1 | 2 | 5 | C |
| Ar-condicionado do escritório | 1 | 1 | 2 | 1 | 5 | C |
A esteira de saída é simples e barata, mas fica em B porque não tem caminho alternativo. A bomba de recirculação pode ser mais cara, mas tem reserva e cai para C.
O que cada classe ganha
| Classe | Estratégia | Peças | Atendimento |
|---|---|---|---|
| A | Preventiva e preditiva, inspeção frequente, análise de causa raiz em toda falha | Sobressalentes críticos em estoque | Prioridade máxima |
| B | Preventiva, inspeção periódica | Peças com fornecedor de entrega rápida | Prioridade intermediária |
| C | Inspeção simples ou operar até falhar, quando a falha é barata e segura | Compra sob demanda | Entra na fila normal |
Operar até falhar não é descuido quando é uma decisão consciente: se a falha é segura, barata e não para nada, gastar preventiva ali é tirar HH dos equipamentos que importam.
Sinal de que a classificação está frouxa: mais de um quarto dos equipamentos em A. Se tudo é crítico, nada é. Reveja as notas com a operação na mesa.
Criticidade não é prioridade do dia
A criticidade diz o quanto a falha dói. Ela não diz se o equipamento está perto de falhar. Na hora de decidir o que entra na parada programada ou o que atender primeiro, cruze as duas coisas:
- Equipamento A com sinal de problema (vibração subindo, ruído, vazamento): primeiro da fila.
- Equipamento A em boa condição: mantém o plano normal.
- Equipamento C com sinal de problema: entra quando houver folga.
Em equipes de campo
Para quem atende vários clientes, como empresas de elevadores ou de climatização, a mesma lógica vale por endereço. O único elevador de um prédio residencial é A; um dos quatro elevadores de um edifício comercial pode ser B. O contrato e o prazo de atendimento acordado com o cliente entram na pergunta de produção ou serviço.
Revise a classificação
A criticidade envelhece. Um equipamento que era único ganha reserva; uma linha muda de produto; um fornecedor de peças fecha. Revise a lista ao menos uma vez por ano e sempre que houver mudança de layout, de processo ou de contrato. Uma classificação de oito anos atrás costuma proteger o equipamento errado.
No taskfield, cada ativo tem sua classe de criticidade, que define a prioridade padrão das OS abertas para ele e aparece para o técnico no aplicativo.
Resumo
- Criticidade mede o que acontece quando o equipamento para, não o preço dele.
- Quatro perguntas: segurança e meio ambiente, produção, reserva e reparo.
- Nota 3 em segurança põe o equipamento em A, qualquer que seja o resto.
- Cada classe recebe uma estratégia: A com preventiva e preditiva, C pode operar até falhar.
- Mais de um quarto dos equipamentos em A indica critério frouxo.
- Cruze criticidade com condição para decidir o que vem primeiro, e revise a lista todo ano.
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