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Falha que volta: quando os 5 porquês não bastam
Falha reincidente com Ishikawa, FMEA simplificada e árvore de falhas: quando usar cada uma, com o exemplo de uma bomba que quebrou quatro vezes.
É a quarta vez no ano que a mesma bomba para com o mesmo sintoma. A equipe troca o rolamento, alinha, reaperta a base, a bomba volta a rodar, e três meses depois está parada de novo. Quando a falha volta, a análise anterior parou no meio do caminho.
Os 5 porquês funcionam muito bem quando a falha tem uma cadeia de causas em linha reta. Falhas reincidentes costumam ter mais de uma causa ao mesmo tempo. Quando se segue um único fio de porquês, resolve-se uma delas, a falha some por um tempo e volta quando as outras se juntam de novo.
As três camadas de uma falha que volta
- Causa física: o que quebrou e como. Ex.: rolamento travado por falta de lubrificação.
- Causa contribuinte: o que acelerou ou facilitou. Ex.: desalinhamento que aumenta a carga e o aquecimento.
- Causa latente: a falha do sistema de gestão que deixou as outras acontecerem. Ex.: não existe procedimento de alinhamento, e o plano de lubrificação não cobre esse mancal.
Se a ação ataca só a causa física (trocar o rolamento), a falha volta. Se ataca a contribuinte (alinhar), demora mais para voltar. Só ao atacar a latente (procedimento e plano) ela tende a sumir de vez.
Ishikawa: abrir o leque antes de fechar
O diagrama de Ishikawa, ou espinha de peixe, força a equipe a olhar seis categorias antes de escolher uma hipótese. No caso da bomba B-11, que trocou rolamento quatro vezes em dez meses:
| Categoria | Hipóteses levantadas |
|---|---|
| Máquina | Base com trinca, causando desalinhamento depois da partida |
| Método | Alinhamento feito "no olho", sem procedimento |
| Material | Rolamento de marca diferente nas últimas duas trocas |
| Mão de obra | Troca feita no turno da noite, por técnico sem treinamento em alinhamento |
| Meio ambiente | Água de lavagem do piso atingindo o mancal |
| Medição | Nenhuma medição de vibração ou temperatura depois da troca |
O Ishikawa só levanta hipóteses. O passo seguinte é buscar evidência para cada uma: medir o alinhamento, inspecionar a base, abrir o rolamento que saiu (veja por que o rolamento falha antes da hora), conferir as notas fiscais das peças. No exemplo, confirmaram-se três: base trincada, alinhamento sem procedimento e água no mancal. Para cada hipótese confirmada, aplique os 5 porquês até chegar à causa latente.
FMEA simplificada: o que atacar primeiro
Quando o equipamento tem vários modos de falha no histórico, a FMEA (análise de modos e efeitos de falha) ajuda a priorizar. Para cada modo, dê notas de 1 a 10:
- S (severidade): o quanto a falha dói.
- O (ocorrência): com que frequência acontece. Use o histórico de OS, não a impressão.
- D (detecção): o quanto é difícil perceber antes de falhar. 10 = só se descobre quando quebra.
Multiplique: RPN = S × O × D. O maior número vem primeiro.
| Modo de falha (bomba B-11) | S | O | D | RPN |
|---|---|---|---|---|
| Rolamento travado por desalinhamento e água | 7 | 8 | 6 | 336 |
| Cavitação por nível baixo no tanque | 6 | 3 | 7 | 126 |
| Vazamento no selo mecânico | 6 | 5 | 3 | 90 |
| Desgaste do elemento do acoplamento | 5 | 2 | 4 | 40 |
A FMEA também mostra por onde reduzir o risco: diminuir a ocorrência (corrigir a causa) ou melhorar a detecção (inspeção, medição). Uma nota D alta pede uma rotina de inspeção que pegue a falha antes.
Árvore de falhas: quando são precisas duas coisas juntas
Algumas falhas só acontecem quando duas condições se encontram. A árvore de falhas parte do evento e desce, separando o que é "ou" do que é "e":
- Bomba B-11 parou, que ocorre por
- motor desarmou por sobrecarga, OU
- rolamento travou, que só ocorre quando há
- carga acima do normal (desalinhamento por base trincada), E
- lubrificação comprometida (água no mancal).
A árvore explica por que a bomba às vezes aguentava meses e às vezes semanas: dependia de as duas condições aparecerem juntas. Também mostra que, num ramo "E", eliminar uma das condições já corta aquele caminho; num ramo "OU", é preciso tratar cada causa separadamente.
Qual usar
| Situação | Ferramenta |
|---|---|
| Falha com causa aparentemente única | 5 porquês |
| A equipe não sabe por onde começar | Ishikawa, depois 5 porquês em cada hipótese confirmada |
| Vários modos de falha no mesmo equipamento | FMEA simplificada |
| Falha que só aparece às vezes, quando condições se combinam | Árvore de falhas |
Feche o ciclo
- Uma ação por causa confirmada, com responsável e prazo, incluindo a causa latente (procedimento, plano, treinamento).
- Registre a análise junto ao histórico do equipamento, para a próxima equipe não começar do zero.
- Acompanhe: o intervalo entre falhas do equipamento aumentou? Ele saiu da lista de repetentes? A calculadora de % sick units mostra se o parque como um todo melhorou.
No taskfield, cada OS de corretiva fica no histórico do ativo com sintoma, causa e solução, e as OS de retorno ficam ligadas à original. A falha que volta aparece logo, não na reunião do fim do ano.
Resumo
- Falha que volta costuma ter causa física, contribuinte e latente ao mesmo tempo.
- Ishikawa levanta hipóteses em seis categorias; confirme cada uma com evidência.
- FMEA simplificada (RPN = S × O × D) ordena os modos de falha por risco.
- Árvore de falhas explica falhas que só aparecem quando condições se combinam.
- Só atacar a causa latente (procedimento, plano, treinamento) faz a falha sumir de vez.
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