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Quanto custa uma hora parada: a conta que falta no relatório
Como calcular o custo da hora parada de um equipamento e comparar a mesma falha atendida como corretiva de urgência e como troca planejada.
O relatório de manutenção mostra salários, peças e serviços contratados. O que ele quase nunca mostra é o que a empresa deixou de ganhar enquanto a máquina estava parada. Essa conta costuma ser maior do que todo o resto, e é ela que justifica estoque de peça, preventiva e reserva.
O que entra na conta
O custo de uma hora parada tem quatro partes:
- Margem perdida: o que a produção que deixou de sair teria deixado de lucro. Use a margem de contribuição (preço menos custos variáveis), não o faturamento: matéria-prima que não foi consumida não é perda.
- Custos que continuam correndo: a equipe da linha parada, energia de equipamentos que ficam ligados, aluguel de equipamento, guindaste ou caminhão esperando.
- Custo de recuperação: hora extra para repor a produção, refugo na partida, limpeza e nova regulagem.
- Multas e contratos: atraso de entrega, multa por prazo de atendimento não cumprido, desconto concedido ao cliente.
Atenção a uma exceção importante: se a linha tem capacidade sobrando e a produção perdida pode ser recuperada depois, a margem não se perde de verdade. Nesse caso, o custo da parada é basicamente o da recuperação (hora extra, refugo). Só conte a margem perdida quando a produção não puder ser reposta.
Exemplo: uma linha de envase
Uma linha fictícia que trabalha no limite da capacidade, sem como repor o que deixar de produzir:
- Produz 1.200 unidades por hora, com margem de contribuição de R$ 2,50 por unidade: R$ 3.000 por hora de margem perdida.
- 8 operadores ficam parados, a R$ 45 por hora cada (salário e encargos): R$ 360 por hora.
- Cada parada gera cerca de 150 unidades de refugo na partida, a R$ 4 de custo cada: R$ 600 por parada.
Custo da hora parada: 3.000 + 360 = R$ 3.360, mais R$ 600 a cada parada. Uma falha que deixa a linha 3 horas parada custa 3 × 3.360 + 600 = R$ 10.680, antes de contar peça e mão de obra da manutenção.
A mesma falha, dois custos
Agora compare a troca de um rolamento do transportador dessa linha em dois cenários:
| Item | Corretiva de urgência | Troca planejada na parada programada |
|---|---|---|
| Perda de produção | R$ 10.680 (3 h + partida) | R$ 0 (linha já estava parada) |
| Mão de obra | 2 técnicos × 3 h em hora extra a R$ 70 = R$ 420 | 2 técnicos × 2 h em horário normal a R$ 47 = R$ 188 |
| Frete urgente da peça | R$ 350 | R$ 0 |
| Peça | R$ 900 | R$ 900 |
| Total | R$ 12.350 | R$ 1.088 |
A mesma peça, o mesmo serviço, e um custo mais de 11 vezes maior. A diferença quase toda está em coisas que o relatório de manutenção não mostra: produção perdida, hora extra e frete. É por isso que medir só o gasto da manutenção leva a decisões erradas, como cortar preventiva para "economizar".
Como usar o número
- Estoque de peças: se a peça custa R$ 900 e a hora parada custa R$ 3.360, ter essa peça na prateleira se paga na primeira falha que ela evita esperar.
- Prioridade: calcule o custo da hora parada dos equipamentos de criticidade A e B. Ele ajuda a definir quem é atendido primeiro.
- Reserva: compare o custo de um equipamento reserva com as horas paradas por ano vezes o custo da hora.
- Trocar ou reformar: some manutenção e paradas do equipamento no ano e compare com o valor de um novo. A calculadora de custo × reposição ajuda nessa conta.
Para quem presta serviço
Para uma empresa que mantém equipamentos de clientes, a hora parada do cliente vira custo próprio de outras formas: multa por descumprir o prazo de atendimento, segunda visita porque a peça não estava no carro, contrato que não é renovado. Calcule o custo de uma visita (deslocamento, horas do técnico, veículo) e multiplique pelas visitas de retorno do mês. Quase sempre o resultado justifica um estoque mínimo no veículo.
No taskfield, o tempo parado sai das próprias OS. Com o custo da hora parada cadastrado por ativo, dá para estimar quanto cada falha custou além da peça e da mão de obra.
Resumo
- A hora parada soma margem perdida, custos que continuam correndo, recuperação e multas.
- Use a margem de contribuição, não o faturamento, e só quando a produção não puder ser reposta.
- No exemplo, a hora parada custa R$ 3.360, mais R$ 600 por parada.
- A mesma troca de rolamento custou R$ 12.350 na urgência e R$ 1.088 planejada.
- Use o número para decidir estoque, prioridade, reserva e troca de equipamento.
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