Indicadores
Como calcular MTBF e MTTR (com exemplo passo a passo)
MTBF e MTTR sem mistério: as fórmulas, um exemplo calculado na mão, os erros mais comuns e como usar os dois para calcular a disponibilidade.
MTBF e MTTR são duas divisões simples. O difícil é escolher bem o que entra no numerador e no denominador, e é aí que a maioria dos indicadores de manutenção perde o sentido.
Este guia mostra as fórmulas, um exemplo calculado na mão, a disponibilidade que sai dos dois números e os erros que fazem o indicador contar uma história diferente da que acontece no chão de fábrica.
O que MTBF e MTTR medem
MTBF (Mean Time Between Failures, tempo médio entre falhas) responde: quanto tempo, em média, o equipamento opera antes de quebrar? É um indicador de confiabilidade. Quanto maior, melhor.
MTTR (Mean Time To Repair, tempo médio de reparo) responde: quando quebra, quanto tempo leva para voltar a operar? É um indicador de manutenibilidade e da capacidade de resposta da equipe. Quanto menor, melhor.
Os dois olham para o mesmo evento, a falha, mas de lados opostos. Um ativo pode quebrar raramente e demorar dias para voltar, ou quebrar toda semana e voltar em minutos. Você só enxerga o quadro completo olhando os dois juntos.
As fórmulas
MTBF = tempo total de operação ÷ número de falhas
MTTR = tempo total de reparo ÷ número de reparos corretivos
Disponibilidade = MTBF ÷ (MTBF + MTTR)
Três definições sustentam essas contas:
- Tempo de operação é o tempo em que o equipamento estava programado para funcionar e funcionou. Não é o tempo de calendário.
- Falha é a perda da função que obriga uma intervenção corretiva. Parada programada para preventiva não é falha.
- Tempo de reparo é o tempo em que o ativo ficou parado por causa da falha, do momento em que parou até ser liberado para operar. Inclui espera, não só as horas com ferramenta na mão.
Antes de calcular qualquer coisa, escreva essas três definições e combine com a equipe. Se cada turno entende "falha" de um jeito, o indicador mede a interpretação, não o equipamento.
Exemplo passo a passo: a Bomba B-07
Considere uma bomba de recalque fictícia, a Bomba B-07, que opera em dois turnos: 16 horas por dia, 26 dias no mês. No mês analisado ela teve uma preventiva programada de 4 horas e três paradas por falha.
| Item | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Tempo programado | 416 h | 16 h × 26 dias |
| Preventiva programada | 4 h | Sai do tempo programado, não conta como falha |
| Falha 1: vazamento no selo | 2,5 h parada | Corretiva |
| Falha 2: rolamento travado | 4,0 h parada | Corretiva, incluiu espera de peça |
| Falha 3: disjuntor desarmado | 1,5 h parada | Corretiva |
| Tempo total de reparo | 8 h | 2,5 + 4,0 + 1,5 |
| Tempo de operação | 404 h | 416 − 4 − 8 |
| MTBF | 134,7 h | 404 ÷ 3 |
| MTTR | 2,7 h | 8 ÷ 3 (cerca de 2 h 40 min) |
| Disponibilidade | 98,1% | 134,7 ÷ (134,7 + 2,7) |
Leitura prática: a B-07 roda, em média, pouco mais de oito dias de produção entre uma falha e outra, e volta em menos de três horas. A disponibilidade de 98,1% é a fração do tempo de operação esperado em que ela estava de fato disponível, considerando só as falhas.
Repare que a falha 2 sozinha responde por metade do tempo de reparo. Ela é a primeira candidata a uma análise de causa e a uma revisão do estoque de rolamentos. Para entender onde essas horas foram gastas, vale quebrar o reparo nas etapas descritas em os 5 tempos do MTTR.
Os erros mais comuns
1. Usar tempo de calendário
Se você dividir as 720 horas do mês por três falhas, o MTBF da B-07 vira 240 horas. O número fica bonito, mas inclui noites e domingos em que a bomba estava desligada. Ele não compara com nada e não ajuda a planejar. Use o tempo em que o ativo deveria estar operando.
Exceção: ativos de regime contínuo, como uma câmara fria ou um elevador de hospital, de fato operam 24 horas. Para eles, calendário e operação quase coincidem.
2. Contar preventiva como falha
Se a parada de 4 horas da preventiva entrar como quarta "falha", o MTBF cai para 101 horas (404 ÷ 4) e o MTTR sobe. Pior: quanto mais preventiva você faz, pior o indicador fica, o que pune justamente o comportamento que você quer incentivar. Separe as ordens por tipo e calcule MTBF e MTTR só com as corretivas.
3. MTTR que ignora o tempo de espera
Muita equipe registra só as horas apontadas pelo técnico. Na falha 2 da B-07, o técnico trabalhou 1,5 hora; as outras 2,5 foram espera de rolamento. Um MTTR de 1,5 hora esconde exatamente o problema que você precisa resolver. O MTTR que interessa à operação é o tempo de equipamento parado.
4. Média que esconde extremos
Imagine quatro reparos de 1 h, 1 h, 1,5 h e 12 h. O MTTR é 3,9 horas, mas nenhum reparo durou perto disso: três foram rápidos e um foi um desastre. Sempre olhe a lista de ordens por trás da média, e considere acompanhar também a mediana (aqui, 1,25 h) e o maior tempo do período.
5. Poucas falhas para concluir alguma coisa
Com uma ou duas falhas no período, o MTBF é quase sorteio. Um ativo que quebrou uma vez em janeiro e nenhuma em fevereiro não "melhorou infinitamente". Para ativos que falham pouco, use janelas maiores (trimestre, semestre, ano) ou agrupe por família de equipamentos parecidos.
Como usar os dois indicadores para decidir
Os números servem para escolher onde agir. Uma forma simples de ler a combinação:
- MTBF baixo, MTTR baixo: quebra muito, mas volta rápido. Investigue a causa das falhas repetidas; a equipe está apagando incêndio com eficiência. A técnica dos 5 porquês é um bom começo.
- MTBF alto, MTTR alto: quebra pouco, mas quando quebra é demorado. Revise peças críticas em estoque, procedimentos de reparo e acesso a especialistas.
- MTBF baixo, MTTR alto: é o pior quadrante e onde o plano de manutenção deve começar.
- MTBF alto, MTTR baixo: acompanhe, sem gastar energia extra agora.
Compare o mesmo ativo ao longo do tempo antes de comparar ativos diferentes. Uma bomba de recalque e uma prensa hidráulica não precisam ter o mesmo MTBF para estarem bem cuidadas.
Um indicador só é confiável se cada ordem de serviço registra o horário em que o ativo parou, o horário em que voltou e o tipo da intervenção. Sem esses três dados, a conta é estimativa.
De onde vêm os dados
Na prática, MTBF e MTTR são tão bons quanto o registro das ordens de serviço. Se a falha foi resolvida por telefone e ninguém abriu OS, ela não existe para o indicador. Se a OS foi fechada no fim do dia com um horário aproximado, o MTTR é uma lembrança. Se esse cenário parece familiar, veja os sinais de manutenção reativa.
Um CMMS como o taskfield grava os horários de cada etapa da OS no próprio aplicativo do técnico, mesmo sem sinal, separa corretiva de preventiva pelo tipo da ordem e calcula MTBF e MTTR a partir das ordens fechadas, sem planilha no fim do mês. Na indústria, isso costuma ser o primeiro passo para comparar ativos com números em que a equipe confia.
Resumo
- MTBF = tempo de operação ÷ número de falhas; MTTR = tempo de reparo ÷ número de reparos corretivos.
- Disponibilidade = MTBF ÷ (MTBF + MTTR). No exemplo da Bomba B-07: 134,7 h, 2,7 h e 98,1%.
- Use tempo de operação, não de calendário, e deixe a preventiva fora da conta de falhas.
- O MTTR deve medir o tempo de equipamento parado, incluindo espera.
- Olhe a lista por trás da média e desconfie de indicadores calculados com poucas falhas.
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